ASSIM, QUIS O DESTINO!
De: Inez Marcondes
O dia passava rápido, como se quisesse me levar pra casa, para minha dor, para minha solidão...
Para aquele vazio que se tornou depois dela... Depois que o meu amor se foi...
Seis meses tinha se passado e tudo ainda estava tão presente...
Eu não conseguia esquecer... Diz-me, como esquecer? Com o tempo?!
Não. Nem o tempo faria eu me esquecer, esquecer do meu grande e único amor!
Aconteceu tudo tão de repente...
- Alex! Alex! – fui tirada dos meus pensamentos pelo chamado de minha amiga Denilze.
Sem responder olhei para ela suspirando fortemente...
- Já é tarde vamos... Hoje até eu passei da hora de ir embora. Que achas de irmos comer algo num restaurante que abriu logo aqui perto? Dizem que é muito bom.
- Tenho que ir pra casa... Ela está me esperando...
- Alex, minha querida amiga... Não faça isso com você! Ela não está mais lá, a nossa querida Jan não está mais. Você precisa aceitar, tem que continuar a viver, Vem, você vai comigo, dessa vez não vou aceitar um não.
Relutando resolvi acompanhá-la até esse tal restaurante...
Denilze foi falando, falando e eu somente concordava com tudo com o que ela falava, as imagens dos prédios, das pessoas, do trânsito passavam aceleradas pela janela do carro, mas meus olhos não viam nada... Na verdade não era eu quem estava ali, era apenas um corpo, com seu espírito tomado pela dor, pelo amor, pela saudade...
Chegamos o restaurante, não estava muito lotado e sem ninguém conhecido da empresa dei graças a Deus, pelo menos ficaria livre das intermináveis palavras de consolo e pesar.
- Alex! Alex! Pelo Amor de Deus! Até quando você vai ficar assim?! Não pode continuar desse jeito!
- Não posso viver sem ela! Entende Denilze?
- Já escolheram senhoras?
- Ainda estamos vendo o cardápio, que prato nos sugere?
- Eu não estou com fome... Quero apenas uma salada com um salmão grelhado. - disse sem levantar a cabeça.
- Quero uma salada também, mas com um suculento filé a moda da casa.
- E prá beber?
- Vinho que achas, Alex?
- Ótimo!
Mal toquei na salada, mas já pedia a segunda garrafa de vinho, Denilze me olhava suspirando inconformada dando por vencida de que nada do que me falasse me faria sair daquela letargia, daquele mundo de dor.
- Alex, além de ser sua amiga, sou sua sócia e gostaria que você tirasse uns dias de férias, não agüento vê-la assim deste jeito, tem a casa de praia, quero que você vá para lá, descanse, curta o mar, embora estejamos no outono, mas creio que te fará bem sair um pouco da sua casa, da cidade enfim.
Não respondi, e continuei tomando o vinho.
- Está me ouvindo Alex?
- Estou minha querida sócia!
- Vou pedir a conta. Creio que o vinho já está fazendo efeito, não comeu nada.
Denilze pagou a conta, antes de levantar da mesa enchi a taça com o que restou na garrafa e tomei tudo de uma vez.
- Vou te levar para casa. Seu carro fica no estacionamento da empresa, amanhã de manhã te pego para o trabalho. Do jeito que está não vai ter condições de dirigir.
- Não estou bêbada!
- Não. Eu sei que não está!
Ficamos em silêncio o trajeto todo.
Denilze estacionou em frente da minha casa. Toda escura.
Não agüentei e desandei a chorar. Ela me abraçou carinhosamente.
- Vamos pra minha casa. È melhor.
Sai do seu abraço, me recompondo.
- Obrigada Denilze, mas prefiro ficar aqui em casa. Tenho de ficar.
- Vai ficar bem? Que pergunta tola. Quer que eu fique com você?
- Não. Obrigada. Você já faz muito por mim!
Denilze me abraçou e me deu um beijo.
- Sinto tanto minha querida Alex!
- Eu sei. Até amanhã.
Sai do carro. Ela ainda demorou alguns minutos para dar partida.
Acenei. Finalmente ela deu partida e se foi.
Mais uma vez olhei a frente da casa. Da nossa casa.
- Que linda Alex! Você gostou? Vamos ficar com ela?
- Também achei linda e muito confortável, lógico que teremos de fazer algumas reformas para ficar como queremos.
- Sim meu amor, a nossa casa! Estou tão feliz, ainda mais depois de tudo o que passamos!
O barulho do motor de um carro me despertou das lembranças.
Com as lágrimas escorrendo, abri a porta.
Entrei, ainda sentia o seu perfume pela sala... Jan! Jan!
Joguei a bolsa no canto do sofá, nem acendi a luz, a luz da lua entrava pelos vãos da cortina, sentei-me e fiquei ali, na semi-escuridão, no silêncio... A dor torturando-me, dilacerando-me... Comendo-me por dentro, feroz, implacável, impiedosa...
As lembranças voltaram, como se elas estivessem presas, atadas em mim...
- Quero uma lareira bem ali.
- Lareira?! Foi isso que ouvi? – Olhei para ela divertida, seus olhos brilhavam.
- Para o inverno. Quando assistia a aqueles filmes, aquelas cenas românticas com as lareiras acesas... Eu pensava, quero uma lareira assim um dia na minha casa...
- E um amor como dos filmes também?
Ela caminhou em minha direção, me abraçou e disse-me.
- Não. Porque o meu amor é melhor do que nos filmes, é real!
Beijamos-nos ternamente, e fomos deixando nos envolver, o desejo se apossando, as mãos de Jan começando a percorrer meu corpo, sua língua explorando toda a minha boca ao encontro da minha... Seu ventre se esfregando no meu...
- Estou com muita vontade de você...
- Aqui?! Só tem o piso...
- E precisamos meu amor do piso ou de outra coisa?!
A parede testemunhou e cooperou para saciarmos nossos desejos e fizemos um amor louco, intenso, até chegarmos ao orgasmo juntas.
Tinha eu 28 e Jan 26 anos quando finalmente pudemos comprar nossa casa e viver como casadas.
Meu corpo reagiu ao lembrar do nosso primeiro momento de amor nessa casa, com o coração acelerado, sentindo-me molhada, dei por mim, sozinha naquela sala semi-escura, com toda aquela dor do mundo!
Deitei-me agarrada na almofada preferida dela, tinha o seu cheiro... Jan cadê você?!
- Jan! Jan! Por que Deus te levou de mim?! Por quê?!
A luz do luar, a solidão e o silêncio acompanhou meu choro por muito tempo.
Muito bom, olha ñ tenho certeza se o conto a amante é seu, eu li no livre arbitrio e eu adorei e gostaria de ver o final, pois a escritora ñ terminou, se for realmente seu posso saber onde posso encontra - lo. Desde ja agadeço. Bjus (Msn)fabriciaelet@hotmail.com
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