DEDICATÓRIA Não me considero uma escritora... E sim, uma construtora! Uma construtora de estórias. Que ao invés de tijolos e cimentos... Uso em minhas construções materiais mais firmes, mais sólidos... Compostos de: “Simplicidade, ensinamentos, verdades, dramas, comédias, emoções, e, sobretudo... Amor, Amor e Amor!” ENTRE, ESSA CASA É SUA AGORA. Inez Marcondes
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
IMORTAL
sábado, 27 de agosto de 2011
sábado, 21 de maio de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
A DAMA DO CORETO
A DAMA DO CORETO
Conto adaptado da peça teatral: A dama do coreto de: Inez Marcondes
Orlando voltava para casa. Estava satisfeito, porém apreensivo e sentindo um leve sentimento de culpa que logo foi afastado ao lembrar dos momentos que há pouco tivera nos braços de Alice. Alice, uma jovem de pouco mais de vinte e quatro anos, companheira de trabalho, funcionária na mesma empresa que trabalhava.
Havia seis meses que enfim ela conseguira seduzi-lo marcando encontros, tornando-se então amantes.
Orlando no inicio se encheu de culpas, quando retornava de seus encontros amorosos com Alice, parava em uma floricultura e comprava um lindo bouquet de rosas para Ana sua esposa, assim , agradando-a. Surpreendendo-a com presentes fazia-o se sentir melhor, afinal, era homem e qual homem casado ou não, consegue resistir aos encantos de mulher, ainda mais quando ela dá em cima?
Além de que era um bom marido, carinhoso com a esposa, com os tres filhos, não tinha vicíos, era da casa para o trabalho, do trabalho para casa, era, antes ,de Alice, agora, sempre arranjando desculpas para seus encontros com a amante.
Ana, uma ótima esposa, mãe dedicada, Orlando a amava, e aos seus filhos dando-lhes uma vida confortavel.
Ana amava o marido com paixão, Orlando era tudo para ela, mais ainda que os filhos.
Orlando estava apreensivo, pois, esquecera o celular em casa depois do almoço, justamente quando Alice lhe enviara uma mensagem combinando um jantar onde ela teria uma bela e excitante surpresa para ele, ao ler a mensagem Orlando sentiu um calor no ventre, anteprevendo as delicias proporcionadas sem limites pelo corpo jovem de Alice.
Será que Ana viu? Leu a mensagem? Não isso não poderia acontecer.. Quando dera por falta do aparelho se desesperou, como pode esquecer? Aproveitou que teria que sair para visitar um cliente e passou em sua casa, nervoso, entrou, Ana veio em seu encontro com o celular na mão, sem conseguir olhar diretamente para ela falou:
- Querida, sabia que tinha esquecido aqui em casa...Ainda bem! Teve muitas ligações?
Foi com alivio que ouviu Ana falar normalmente que sim, que tivera muitas ligações de clientes perguntando por ele.
- Bem, certamente os numeros das ligações estão registradas, farei contato logo mais.Tenho que ir agora querida.
- Vou fazer aquele prato que você gosta para o jantar, espero que não saia tarde hoje do trabalho.
A voz de Ana estava calma. Nada demonstrava que vira a mensagem. Que sufoco! Orlando se maldizera por não ter apagado-a. Como pode se arriscar assim?! Mesmo se sentindo em pecado agradeceu a Deus!
Por um momento sentiu remorso...Mas...Envolvido pelo fogo da paixão lascívia...
- Que pena querida...Justo hoje que tenho um jantar de negócios. –Beijou-a- Sinto muito, mas, não vai dar. Pode fazer esse prato outro dia? Por favor querida?
Ana olhou bem no fundo dos seus olhos e respondeu:
- Outro dia pode não ter nunca mais o sabor de hoje!
- Tenho que ir querida! Tem um cliente me esperando. Vou chegar tarde hoje. Não me espere!
E saiu apressado. Não percebendo a angústia que havia nos olhos da esposa.
Orlando embicou o carro para entrar na garagem. Estranhou..Estava tudo escuro...Ana deixa sempre a luz da garagem acesa...A luz em cima do portão acesa..Agora tudo escuro...
Entrou com o carro. Mal o portão automático fechou escutou seu nome sendo chamado nervosamente:
- Seu Orlando!
- Pai!
Orlando se assustou vendo sua vizinha e seu filho mais velho de 17 anos entrando ao abrir a portão de entrada.
- Marcelo?! Dona Alzira?! Mas, o que aconteceu?!
Seu filho chorava desesperado.
- A mamãe ! Cadê a mamãe?!
- Como assim?! – perguntou aflito se entender nada.
- A Ana seu Orlando...Sumiu!
Orlando acompanhou sua vizinha e seu filho á casa dela onde seus outros dois filhos estavam, Liliane de 14 anos e Eduarda de 10 anos.
Estavam todos desesperados.
A vizinha contou que Ana antes um pouco das seis da tarde, procurou- a dizendo que teria que sair, estava arrumada, e pediu que ela olhasse as crianças, Alzira perguntou se iria demorar, Ana não respondera, estava estranha, afirmou Alzira.
Ana não voltou mais desde aquele dia.
Foram a policia registrar seu desaparecimento. O delegado perguntou o que tinha acontecido, o que poderia ter levado ela desaparecer?!
Orlando não soube responder. Teve medo.
Dentro dele a duvida martelava..Será que Ana descobriu?! Será que Ana leu a mensagem e foi vigia-lo?!
Orlando além de ficar atormentando com o remorso e culpas, foi suspeito de ter sumido ou assassinado a esposa.
Como não foi encontrado o corpo e nem indícios de crime, sem provas, foi liberado e o caso arquivado. Ana simplesmente entrou na lista de pessoas desaparecidas.
Antonio Correa da Silva, “Toninho”, assim era chamado o garoto de 16 anos que trabalhava junto com sua amiga Marta.
Marta, uma jovem simples de 20 anos, ela e Toninho recolhiam papéis, papelão, e outros lixos reciclaveis, tanto que faziam questão de serem chamados de recicladores.
Toninho vivia com os pais e os irmãos, pobres, moravam na periferia distante do centro da cidade. Era um garoto esforçado, enquanto seus coleguinhas ficavam na rua sem fazer nada, ele tinha sonhos, sonhava em ser alguém na vida, ter oportunidade de viver longe da pobreza, da fome, da miséria e das armadilhas que a vida bandida, marginal oferece.
Mantendo-se alheio ás gozações, Toninho seguia firme no seu trabalho, no seu estudo e junto com Marta saiam todos os dias após a escola no periodo da tarde muitas das vezes acabavam dormindo em algum canto da cidade para cedo encontrar melhores mercadorias.
Ele e Marta compartilhavam seus sonhos, suas esperanças no dia-a-dia.
As vezes eram confundidos com andarilhos, pedintes, vagabundos e também com os loucos que andam nas cidades vindos do nada, alheios da vida, causando medo, repulsa, desprezo e raiva nas pessoas.
Um dia estava lá eles recolhendo caixa de papelão na praça principal, quando Marta chamou sua atenção:
- Veja Toninho, aquela é a tal dama do coreto!
Toninho se virou e viu. Por um momento seus olhos ficou parado olhando aquela mulher na escada do coreto da praça, estava sentada, ao seu redor diversas sacolas, parecia estar em sua casa, indiferente aos olhares divertidos e gozadores que a fitavam certos de se tratar de uma pessoa insana, louca. Ela se sentara com pose, ereta, sensual e segurava entre os dedos um pequeno pedaço de espelho onde se olhava penteando os cabelos, se maquiando vaidosamente, era uma mulher que aparentava uns 38 a 40 anos, morena, cabelos pintados de vermelhos, se pintava com um certo exagero, mas, era bonita.
Admirado e hipnotizado com aquela cena, Toninho ficou encantado com aquela mulher que todos diziam ser louca, mas, por quê? A chamavam de dama do coreto, perguntou a Marta:
- Dizem que ela dorme com homens no coreto, cada noite ela está com um... Então apelidaram ela de dama do coreto! – respondeu Marta.
O garoto não conseguiu se concentrar no que fazia volta e meia sua atençao voltava a mulher que agora passeiava pela praça com suas sacolas penduradas no braço, caminhava balançando suas ancas como se querendo chamar as atenções dos homens e de outros andarilhos que ali se encontravam.
- Mas, de onde ela é? Ela é mesmo louca?! – Quis saber.
- Sei lá! Dizem que apareceu por aí...Outros falam que a conhecem, que largou a família por traição do marido e que já tentaram leva-la para tratamento e ela foge...Não quer voltar para casa...E que se chama Ana...
- Ana! Ela se chama Ana. Coitada como pode viver assim?!
- Só pode ser louca...Assim como outros também que vivem nas ruas... È uma doida varrida devia estar é no “Juqueri”!
- Coitada Marta! Por quê fala assim dela? Ela não faz mal prá ninguém!
- Você tem razão Toninho... Ela não pertuba ninguém...
Toninho ia responder quando derepente a Dama do coreto para em frente deles... E diz olhando para Marta:
- Tô bonita não é? Eu sempre fui bonita! Tá assim de homens atrás de mim...È só escolher...Mas, são tantos...Veja...Estou linda....
- Hiii...Tá me estranhando?! È ruim..Como é... Está dando umas voltinhas ó grande dama?
Parado Toninho meio com medo ficou em silêncio admirado com a coragem de Marta.
- Ora sua catadora de papel. Quem pensas que é para me falar assim?! Eu sei que me inveja! Alias todas me invejam!
- Inveja?! Cruz credo! Prefiro ser uma catadora de papel, mas, normal e não uma...Uma...
- Diga...Vamos diga! Não tenha medo! Você pensa. Todos pensam que sou louca não é? Que sou louca...Eu sou louca...Louca....
Marta e Toninho ficam apavorados quando ela começa a rir debilmente, mas, Marta querendo mostrar a Toninho sua coragem...
- Se fosse só isso...
A dama ainda rindo debilmente...Responde...
- E vocês acham que eu ligo? Falar dos outros sempre foi e será a saida covarde das pessoas que se julgam normais e certinhas, direitinhas...Mas, eu sou louca e como disse não ligo. Nós os loucos temos a liberdade! No nosso mundo não há limites, falsos padrões de moralismo...
Marta não respondeu e Toninho curioso perguntou timidamente:
- Padrões de moralismo?! Que é isso?!
A dama olhou para ele como se tivesse vendo-o naquele momento, passou a mão no rosto de Toninho e deu um sorriso e depois falou:
- Você será um belo homem quando crescer. Vocês estão me atrazando. Volte para seus lixos...Logo ele chegará... Não tenho que dar satisfação prá ninguém. Nem agora nem nunca...
Virou as costas e saiu em direção ao coreto.
- Ela gostou de você Toninho! Mas, quem ela pensa que é para nos chamar de catadores de lixo?! Atrevida! Metida ! Posuda! Nós somos recicladores viu? Será Toninho que as pessoas pensam que somos que nem ela porque ficamos pelas ruas catando coisas?!
- Claro que não Marta! Nós temos nossa casa. Nós não vivemos na rua e nem pedimos comida nas casas e ela...
- È mesmo. Nós não somos como eles, como ela que vive perambulando por aí. Lava as roupas no ribeirão, é pirada, vive periquitada crente que abafa! Coitada! Todo mundo goza da cara dela chamando ela de dama do coreto..Tentaram até expulsa-la daqui por verem ela...Você já sabe o que é transar né? Então ..Será que é verdade desse povo?
- Isso eu não sei! Mas, que ela é sabida ela é! Olha Marta...Ela tá dançando no coreto...
E lá estava a dama do coreto dançando e cantando...
Toninho não conseguiu esquece-la. Aquela mulher não mais saiu de sua cabeça, queria saber, de como uma pessoa pode ficar daquele jeito morando na rua, o que leva uma pessoa normal e que num belo dia dá um crik na cabeça e sai pelo mundo como um insano indigente, sabia de muitos outros como ela, milhares pelo mundo afora, mas, ela dispertou nele um interesse especial, Marta brincava com ele dizendo que ele estava apaixonado pela dama do coreto, que o deixava danado da vida.
Não via a hora deles sairam para trabalhar, queria ve-la, apesar de sentir um pouco de medo dela, mas, adorava ficar vendo-a se maquiar, seu rebolado ao andar, e as vezes em que ela simplesmente ficava sentada ora no banco da praça ora nos degraus do coreto, imovél, alheia, olhando o nada segurando suas sacolas magnifica em sua pose de dama.
Uma noite ele e Marta após lancharem, tinham se deitados nas caixas abertas de papelão para descansarem um pouco quando foram acordados subitamente pela dama...
- Acorda! Anda...Onde...Está ele?! Onde?! Você o roubou de mim sua ladra! Onde está ele?!
Acordaram assustados.
- Que foi?! Que tá acontecendo?!
Perguntou Marta para ela.
- Onde está ele? Onde?! – A dama insistia.
- Ih Marta será que ela é perigosa?!
- Calma Toninho! Calma! Que Deus nos proteja! Estamos perdidos...Tá procurando o que dona Ana, seu nome é Ana não é?
- Vocês não viram?! Nós saimos juntos eu e ele...Vocês viram sim! Ele é tão bonito não é? –Falava debilmente.
- Toninho ela tá surtando!!!
- O que vamos fazer Marta?!
- Deixa comigo! Ele? ...È eu quer dizer nós vimos sim! Ele ..Ele é muito bonito sim! Mas, não faz o meu tipo. Fique sossegada...Mas, o que aconteceu?!
A mulher começa a andar falando...
- Foi lindo...Ele estava tão carinhoso...Tão gentil...Falamos de tantas coisas...Fizemos planos ...Os nossos sonhos...E depois nos beijamos...Nos abraçamos...E fizemos amor...
Toninho e Marta vão atrás dela.
- Não precisa falar desse detalhe...Não é bom contar essas coisas para os outros...Bem e depois?
Assustado porém maravilhado com o que assistia, Toninho admirava a coragem de sua amiga Marta que parecia saber lidar com a dama do coreto.
- Depois?...Ele foi procurar uma rosa para mim...
- Romântico esse seu namorado...
- Ele voltou..-continuou ela debilmente- E pediu-me que fechasse os olhos...Mas, quando abri...Ele não estava mais...Chamei, chamei e nada! Procurei pela rosa e nada....Fui procurando...Procurando...
Andando vai até o coreto, remexe em suas sacolas enuma delas tira uma rosa já seca e volta alegre e mostra a eles.
- Viu?! Só achei a rosa! Olhe que rosa linda! Sinta o perfume...
Marta e Toninho cheiram a rosa seca.
- Realmente não é Toninho? Tem um delicioso perfume! Merecemos Toninho merecemos!
- Você está debochando de mim! Está com inveja! Aposto que ninguém te dá uma folhinha de mato! – E pega a rosa seca das mãos de Marta.
- Oras só me faltava essa...Eu com inveja?! Minha paciência tá acabando!
A mulher a ignora e vai até Toninho.
- E você meu querido, não quer dançar comigo? Vamos dançar! Amar! A noite está tão linda! Eu estou linda...
- Desculpe senhora..Mas, eu não sei dançar!
Tremendo Toninho vê os olhos dela se encherem de lágrimas e ela começa a chorar e se lamentar como uma criança.
- Ninguém gosta de mim! Ninguém ...Gosta de conversar comigo! Todos tem medo de mim...Ninguém me entende! Até você me abandonou...Fugiu de mim...Me deixou sozinha...
Foi se afastando, entrou no coreto, sentou encolhida no chão e ficou debilmente chorando e falando sozinha. Toninho foi até na entrada do coreto e com o coração conduido falou á ela:
- Dona Ana eu vou aprender a dançar e um dia dançarei com a senhora!
Marta correu até a ele..
- Tá ficando louco também é?! Vem vamos acabar de juntar as coisas e voltar para casa já perdemos tempo demais com essa doida....
Naquela noite em sua modesta cama, Toninho não conseguiu dormir, a imagem daquela mulher chorando sozinha como uma criança encolhida no chão de um coreto não saiu de sua cabeça...Ele não conseguia entender como uma pessoa normal chegava aquele ponto.
No outro dia, era um sabado, ele e Marta chegaram na praça, e um aglomerado de gente assistia alguma coisa que chamava a atenção, certos de ser algum artista de rua, foram ver, e lá estava a dama do coreto, deitada com as pernas cruzadas sobre um cobertor estendido no chão da praça como se estivesse numa praia, tinha a saia levantada na altura das coxas, de óculos escuros, lenço na cabeça, brincos, exageradamente pintada totalmente indiferente as risadas, gestos das pessoas dizendo uma as outras que ela era louca, outros passavam olhavam sacudiam a cabeça em repudio, e ela lá, nem aí para todos e derepente começou a falar:
- O que é que vocês estão olhando hein? Que foi? Dá licença que eu estou na minha praia?!...È só minha tá? Ser louco tem suas vantagens! Ah! Ah! Ah! Podemos estar em qualquer lugar...Em qualquer hora...E aqui é a minha praia...Estão olhando o que?! E por quê?! Estão achando engraçado?! Riem...Riem...Ah! Ah! Ah! È gostoso rir...Ah! Ah! Principalmente das desgraças dos outros! Ah! Ah! Ah! Não! Não...Os loucos são lunáticos! Ah! Ah! Ah! Tem uma frase...Como é mesmo? Já sei...De médico e louco todo mundo tem um pouco! Ah! Ah! Ah! Só que uns tem um pouco mais de louco...Loucos...Loucos...Loucos por dinheiro! Loucos por poder! Viva o poder! Loucos por vingança...Loucos para matar...Loucos para roubar...Mentir...Mentir...Enganar...Enganar...Engraçado...Loucos para fazer o bem...Não existe! Ou existe?! Ah! Ah! Ah! Esse mundo maravilhosamente louco! E Deus ...È um louco também por ter nos criado?...Olhem...O sol tá indo embora...Tá ficando frio aqui...Muito frio...Não há mais ninguém aqui...
As pessoas ali derepente foram ficando sérias, olhando aquela mulher que agora quase chorava, débil como uma criança frágil...
- Sabem porque sou louca? ...Eu não sei...Não consegui...Que vida era aquela?!...Que mundo é esse?!... Eu apenas quis fugir... Ir embora...E quando dei por mim...Eu estava aqui...Em lugar algum...E em todos os lugares ao mesmo tempo...Vejo os jornais...Mas, não leio...Ah! Ah! Ah! Vocês passam por mim...Prá lá e prá cá...Eu fico olhando...Olhando e nada vejo! E vocês me olhando...Olhando...Sou um ser...Um objeto curioso e desprezível...Porque nós os loucos sujamos as ruas, avenidas, as praças...Sujamos o mundo certinho de vocês...Nós os loucos, vagabundos...Mendigos...Andarilhos...Mortos de fome...Assalariados...Ah!Ah!Ah! ``E tudo tão falso...Do lado de lá...Asquerosamente falso! Acabou a praia...O sol se foi...Tá na hora de me arrumar...Tenho que estar bonita1 Muito bonita! Mas, ...Se ele não vir? Me deixar sozinha de novo?! Tenho medo...Muito medo de ficar sozinha! Todos se esconderam de mim...
Ela senta se encolhendo com os braços ao redor das pernas.
- Não vou mais procurar vocês...Não vou mais...
Cantando sempre debilmente...
- “Nana nenê que a cuca vem pegar...Se não dormir agora a cuca vem pegar...”Boi Boi, boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de careta...Boi, Boi...”
E fica ali encolhida cantando.
O espétaculo acabou as pessoas desconcertadas vão saindo cada qual para o seu destino.
Marta olha para Toninho e diz:
- Eu é que fiquei louca agora! Você escutou tudo o que ela disse?!
Toninho não respondeu.
Saiu e foi até uma padaria, lá comprou um copo de café com leite, pão com manteiga, voltou se aproximou da mulher que ainda estava sentada no chão.
Tocou-lhe suavemente nos ombros, ela levantou a cabeço o fitou, ainda tinha lágrimas em seus olhos.
- A senhora deve estar com fome. Trouxe-lhe café com leite e pão.
Ela não se moveu, continuou fitando-o, depois devagar pegou o copo e o embrulho com o pão, sorriu para ele agradecida.
Toninho retribuiu o sorriso e voltou-se em direção a Marta que olhava para ele assombrada e foram recolher seus materiais reciclavéis.
Desde aquele dia Toninho sempre reservava uns trocados para comprar alguma coisa de comer para dar a Dona Ana, a quem passou a ter um certo carinho e atençaõ.
Marta embora não gostasse muito ajudava as vezes também comprando alguma coisa.
Um dia, Marta não pode ir, estava gripada e Toninho teve que ir sozinho, estava meio frio e ele levou uma garrafinha termica com café, após recolher caixas de papelões, sentou no banco, estranhou pois não vira ainda dona Ana no coreto e nem nos arredores da praça, ficou preocupado, mas, por pouco tempo, logo a figura dela apareceu vindo da rua ao lado da praça com seu andar provocante segurando suas sacolas, quando ela o viu veio direto em sua direção, sentando ao seu lado no banco.
- Ola meu principezinho! Que pena...Não posso ir á praia hoje...
- Praia?! Ah! È...Por quê não pode?
- Tá frio hoje...Mas, ontem eu fui... Veja como estou bronzeadinha...
- Você foi a praia ontem?! Legal! Tá mesmo...Queimadinha...Que nem cor de jambo....Mas, me diga a praia estava boa?
- Muito sol...A aguá estava uma delicia! Eu ia convidar você e sua amiga...Mas, não os encontrei...
- Então você ia nos convidar? Que pena Dona Ana...È que as vezes temos que ir no outro lado da cidade..Eu a Marta temos que dar um duro danado para recolher material para reciclar...Nosso trabalho é importante. E precisamos trabalhar, estudar para realizar nossos sonhos. Tá me ouvindo dona Ana?!
- Tô ouvindo sim! Você falar...Falar...
- E como tava falando..Eu quero estudar, ser alguém na vida, casar, ter filhos, Marta também...Quer achar o principe encantado...
- Casar...Filhos...Você já viu...Eu...Eu tenho meu principe...Continue...Tá tão bom ouvir você falar dos seus sonhos...
- Por quê?! Vocês não sonham? Desculpe...
- Não. Não se preocupe. Tá querendo saber...Se nós “birutinhas” sonhamos? Se não temos mais esperanças na vida? Depende da loucura de cada um...Não acha?
- Eu não acho nada1 E nem entendo nada dona Ana! Trouxe café, quer um golinho?
- Um cafezinho é sempre bem vindo mesmo prá nós!
Toninho a serve e a ele também, e fica em silencio.
- Pergunte. Vamos pergunte.
- Perguntar o que?!
- Aquilo que você e todos tem vontade de saber...De como vivemos...Por que ficamos assim..Não é? E você é um rapaizinho inteligente... Que sei.Bem..È verdade. De repente vocês aparecem ...A gente vê que não..Mendigos desses que vivem por aí esmolando....Eu não sei explicar a diferança...Vocês aparecem do nada, só que atrás desse nada..Deve ter um passado...Como dos outros também...Uma vida antes de se tornarem...Sei lá acho que uma coisa muito grave fez com que vocês...
- Fugíssimos da realidade? Como se desistissimos fáceis da vida? Dos problemas? Do amor? De tudo causa dor? Revolta? Sofrimento? Vontade de matar? De se matar?
- E como...Meu Deus! Como conseguem viver assim...Como dizer? Sem lenço...Sem documento...Como nada? Isso é mesmo loucura!
- Somos...Uma espécie de loucos não perigosos...Nem sempre incomodamos...As vezes sim...As vezes não...Sobrevivemos com a bondade de uns..Continuamos com os nãos de outros...Ficamos no nosso mundo..Se vier alguém e conversar, se queremos conversamos...Se não, ficamos em silêncio...As vantagens da loucura...depende qual...Podem nos expulsar das cidades, dos lugares...Mas, não do mundo...A não ser que nos matem! Apesar de muitos de nós já estarmos vivendo como mortos-vivos...
- Deus me Livre! Não fale bobagens!
- Não! Ah! Ah! Ah! Não...Não é bobagens...Muito de nós...Não nascemos com a loucura...Mas, na vida as vezes...Acontecem fatos...Fatos...Que se tornam insuportáveis...Dificieis de aceitar e causa...Forma ferida...Uma ferida tão profunda...Uma dor que nos enfraquecem...Somos frageis Há nossas mentes um poder e auto-destruição muito forte...Levam alguns ao alcoolismo...outros as drogas Outros ao suicidio...São tantos os caminhos da loucura...E também...Pode ser o destino da gente...Você acredita em destino?
- Sei lá desse tal destino Dona Ana! E você falando desse jeito nem parece que é...
- Meu queridinho...Nós também sabemos conversar quando queremos...
- Engraçado antes eu sentia medo de você....
- Todos tem medo...Nojo...Repulsa...” Ciranda, cirandinha vamos todos cirandar..”
Toninho contrariado percebe que ela se “desliga”...
- Hei Dona Ana! Dona Ana...
Ela não lhe dá atençaõ. Levanta, pega suas sacolas e sai em direção ao coreto cantando...
- “Se esta rua , se esta rua fosse minha...”
Sentado no banco Toninho fica olhando-a aquela estranha e misteriosa mulher, que no coreto começa a falar sozinha em alto som...
- Voltar? Voltar?....Voltar prá onde?! Voltar para aquela vida?! Voltar tudo de novo?! Como?! ...Eles...Eles me esqueceram...Ninguém se lembra mais de mim! Não! Voltar não! Não pelo amor de Deus!
Ela abre os braços e como num palco, no seu palco da vida, começa a dar volta falando alto...
- Aqui é a minha casa...Ah! Ah! Ah! O meu mundo...Só meu! De mais ninguém! Aqui sou e sempre serei a Dama do coreto...A grande dama do coreto! Ah! Ah! Ah! Sou bonita..Gostosa...Não é meu amor?...Linda...Linda..Linda.. A grande dama do coreto! Ah! Ah! Ah!
Que fazer? pensa Toninho se levantando, a vida continua, e tenho que trabalhar.
Ao anos se passaram, Toninho se alistou no exercito, se formou foi embora para outra cidade, mas, em suas lembranças volta e meia a dama do coreto estava.
Soubera que desmancharam o coreto, por ando andaria Dona Ana?
O tempo se passou, Toninho virou Dr. Antonio engenheiro bem sucedido, casou-se e voltou para morar na sua cidade natal com sua familia.
Reviu seus pais, seus irmãos, Marta que casara também, se formou professora, o encontro dos dois foi emocionante.
Quando levou sua esposa para passeiar pelo centro da cidade, na praça reformada, as lembranças do tempo que recolhia caixas de papelão, das conversas com a dama do coreto...
Não conteve um suspiro, e sua esposa curiosa perguntou:
- Que foi? Saudades de alguém?
- De certa forma sim querida! Ali tinha um coreto...
- E o que tem o coreto?!
- Nada! Quer dizer..Outra hora eu te conto.
Mais um tempo se passou, uma noite seu filho teve uma crise de bronquite, ele e a esposa o levaram no hospital, na saida ao passar defronte a pracinha na entrada do hospital, ele viu uma pessoa deitada num dos bancos rodeada por cães, chamou sua atençao, pediu a esposa que esperasse um pouco e foi mais perto, um dos cães rosnou, viu que era uma mulher já idosa, deitada sobre várias sacolas, e um dos cães estava deitado sobre seu corpo, outro nos pés e outros rodiando, como se fossem seus guardas-costas, a mulher descobriu o rosto do cobertor e disse:
- Quieto dandan!
O coração de Antonio bateu forte. Se aproximou mais dela...E lá estava a dama do coreto, sem sua maquiagem, desprovida de toda a vaidade, cabelos branco, sem dentes...Os olhos de Antonio se encheu de lágrimas...
- Fica sossegado moço...Ele não vai morde-lo! Dandan é um bom cachorro, é manso...
- Dona Ana – Chamou com a voz embargada pela emoção.
Ela olhou para ele com atençao.
- Sou eu Toninho lembra-se? A senhora me chamava de principezinho Lembra de mim?
Ela se levantou, sentou e envolveu o cobertor na cabeça e ficou olhando para ele, Antonio ficou sem saber se ela o reconhecia ou não...
- Estou doente ! Sinto tanto dor no corpo! È muita friagem...
- Antonio! – Escutou sua mulher chamar.
- Já estou indo querida.
Antonio levou a mão no bolso tirou a carteira e de lá tirou umas notas de dinheiro e deu a ela.
- Tome dona Ana tem bastante ai para ir ao médico, comprar remédios e sempre vou passar por aqui para ajuda-la.
Ela pegou as notas guardou depressa dentro do decote da roupa e sorriu com sua boca desdentada agradecida,.
- Se cuide Dona Ana. Fiquei muito feliz de vê-la novamente. Embora não tenha me reconhecido.
Olhou-a mais uma vez e foi ao encontro da esposa, se tivesse demorado mais um pouco ouviria ela falar:
- Que Deus o abençõe meu principezinho! Que Deus o abençõe!
- Conhece aquela mendiga querido?! Você está chorando?
- Ela não é uma simples mendiga querida! Vamos, em casa eu te conto.
Entraram no carro.
Deu a partida e antes de dobrar a esquina ele viu pelo espelho do retrovisor a triste imagem daquela solitaria mulher deitada no banco que agora tem em sua companhia os cães vadios, vira-latas, sarnentos que a protegem, que a amam e são amados por ela, juntos acham consolos e calor no dura realidade da vida..Não se conteve e deixou as lágrimas escorrerem livremente.
FIM
INEZ MARCONDES
FLORIANÓPOLIS 5/07/07
terça-feira, 5 de abril de 2011
Chic - Good Times bons tempos..
terça-feira, 22 de março de 2011
'ASSIM QUIS O DESTINO" último capítulo
Último capítulo
Estávamos prontas quando o barco chegou para nos buscar, há tempo a tempestade tinha cessado, no céu o crepúsculo se anunciava, embarcamos, sentamos, ela encostou a cabeça no meu ombro, abracei-a e em silêncio seguimos no barco pela imensidão azul do mar...
Olhei pela última vez a ilha que se distanciava cada vez mais...
A cabana que ainda abrigava os resíduos da nossa entrega, dos nossos cheiros, dos nossos gemidos, do nosso prazer...
As Palmeiras balançavam ao sabor do vento... Guardiãs silenciosas e fieis do nosso segredo que ali ficaria para sempre!
Estranhei Mirelle, não disse uma palavra até chegarmos ao seu chalé..
Instigada perguntei-lhe:
- Estais arrependida?
Ela me abraçou.
- Não. Foi maravilhoso.
Beijei-a ardentemente.
- Vou deixá-la para que descanse. Encontramos-nos amanhã?
- Prá que pensar no amanhã? Se tudo o que vivemos hoje valeu como uma vida inteira!
Fitei-a sem entender.
- Vá! Sei que também está cansada!
- Serei obediente linda e gostosa mulher!
Ela riu.
Quando me preparei para abrir a porta, ela me puxou para si e beijou-me profundamente, o desejo se aflorou em nossos corpos, colei meu ventre sob o dela.
Com muita relutância e arquejando ela me empurrou delicadamente.
- Vá.
- Vou. Mas, volto amanhã.
Voltei pra casa, sentindo a excitação do desejo atormentar meu corpo.
Tomei um banho, deitei e quase que imediatamente adormeci profundamente.
Desta vez sem ajuda de pílulas... Sem ajuda de bebidas!
- Como?! Ela foi embora?!
- Dona Mirelle partiu hoje bem cedinho, ela deixou uma carta para a senhora e esse pacote.
Peguei a carta, ainda atordoada... Por que ela fez isso comigo?! Por quê?!
Comecei a ler...
“Querida Alex...
Por favor, não fique com raiva de mim, verá mais tarde que foi melhor assim.
Não lhe contei, mais na verdade sou casada, tenho dois filhos e um neto.
Casei-me por amor, mas, depois de descobrir inúmeras traições de meu marido, cheguei a conclusão que o divórcio não seria favorável a nenhum de nós.
Portanto vivemos um casamento de aparências, não sou promíscua, mas gosto de ter um tempo só prá mim... Até que conheci você.
Não demorei muito para perceber seu desejo, confesso que no início, isso alimentou meu ego, até que comecei a te olhar diferente, gostando dos seus olhos, do seu rosto, de como essa mechinha do seu cabelo caia na sua testa, da sua boca...
Até então...
Mas, lá naquela simples cabana, naquele momento único, senti-me totalmente atraída!
Nunca senti prazer assim como senti com você.
Se eu ficasse, iria me apaixonar perdidamente e vice-versa, e essa paixão se transformaria em sofrimento para nós duas.
Jan apesar e com pesar, foi uma mulher de sorte, pois foi feliz e teve teu amor até o fim!
Dê continuidade nessa felicidade fazendo o melhor: Vivendo!
Deixei- te uma lembrança minha, creio que você irá gostar.
Jamais te esquecerei.
Seja Feliz.
Com Paixão
Mirelle”
Li e rê-li por diversas vezes, não acreditando que ela fez isso comigo.
Agora entendia o porque daquelas palavras, da maneira como ela agiu depois de voltarmos da ilha... Mirelle!
Peguei o pacote, agradeci o recepcionista e sai desanimada.
Caminhei de volta como se estivesse sem rumo, não sei o que doía mais se era o orgulho dela ter me dado o fora ou fato de ficar sozinha novamente.
Cheguei e sentei-me no banco da varanda, entre a raiva e a decepção rasguei o papel que envolvia o embrulho, e lá estava ela na pintura da tela, linda, em pé em cima dos rochedos da praia, os cabelos soltos pelo vento, uma cópia fiel dela, o contorno do corpo, do rosto, perfeito, como um retrato.
No canto estava escrito: “com paixão, M”
Tive ímpetos de rasgar, quebrar, jogar fora...Mas, a lembrança dos momentos que passamos na cabana puseram fim nesse tolo rompante.
Passei o resto do dia sem sair de casa, curtindo uma dissimulada “dor-de-cotovelo”, pensando, no que eu estava fazendo com a minha vida, nada mais iria trazer Jan de volta,e ficar me atirando em paixões movidas por pura atração também não iriam acrescentar, nada em minha vida,estou com 45 anos e está na hora de crescer “dona Alex”, ficar chorando não vai mudar a escolha do destino.
Mirelle tem razão, tenho é mais que viver e fazer o melhor com minha vida.
No outro dia bem cedo, agradeci me despedindo dos caseiros, e rumei de volta para São Paulo.
Prá surpresa minha Denilze havia mandado uma faxineira em casa, estava toda limpa, cheirosa, liguei avisando-a da minha volta.
Uma outra surpresa me aguardava ao chegar na produtora, Denilze e os funcionários, fizeram uma festinha de boa vinda, abraçando-os e agradecendo falei que o certo seria: “Bom recomeço”, passado esse momento festivos, retornamos ao trabalho, Denilze acompanhou-me até a minha sala.
- Hummm! Está com outra carinha! Mais bonita! Bronzeada..
Enquanto ela falava eu tirava o papel que embrulhava o quadro para pendurar na parede.
- Que mulher linda nessa pintura! Quem é ela?!
Por um momento fiquei tentada para contar...mas, pra que? Um segredo para se tornar segredo tem que permanecer sendo um segredo.
- Não sei! – respondi evitando olhar para ela- Comprei-o numa feirinha de artes.
- È linda! Ela existe ou foi fruto da imaginação do artista?
- Quem sabe?
Denilze me olhou desconfiada.
- Que foi? –Perguntei-lhe.
- Você parece estar me escondendo algo...
- Deixe-me ver... Quer me revistar? – Brinquei.
Ela riu e depois fitou-me com ar carinhoso e maternal.
- Alex! Estou feliz por vê-la melhor, sei o quanto é difícil e doloroso mas, a vida continua e não importa a dor que ela nos provoca.
- Sim. Eu sei. Muito obrigada amiga pela compreensão e pela força!
Nos abraçamos.
- Agora chega de conversa. Ao trabalho.
A semana passou, me atirei dessa vez de cabeça no trabalho, já não doía tanto voltar para casa, Mirelle dividia com Jan os meus tormentos, meus momentos de saudades...
No fim-de-semana, tomei uma decisão, de que adiantaria ficar guardando as roupas, todas as coisas de Jan, abri o guarda-roupa, tirei tudo dela de dentro,fui olhando cada uma delas, as que eu adorava vê-la usando...
Não pude conter as lágrimas, chorei abraçando uma de suas roupas... Chorei de saudades...Que saudades minha amada!
Decidida, sequei meu rosto e continuei a colocar nas caixas todos os objetos de uso de Jan para doar.
A campainha tocou, fui atender era Denilze e Val.
Elas falaram que era uma decisão certa tirar e doar as coisas de jan.
Levamos para um centro de assistência social.
A noite teria um coquetel de um lançamento de uma marca que nossa produtora produziu.
Toda a mídia estava presente, convidados etc.
Quase no fim, Denilze me chamou.
- Alex, quero te apresentar uma amiga.
Três mulheres estavam a nossa frente, um cabelo cacheados abaixo dos ombros me chamou atenção e fez meu coração acelerar...
“Seria Mirelle?” – Pensei comigo.
As mulheres se voltaram.
- Oi Denilze.
- Alex, essa é Beatriz.
- Como vai? È um prazer conhecê-la. – Apresentei-me ainda sentindo o coração batendo forte, seus cabelos lembravam os da Mirelle.
O rosto diferenciava, com uma beleza delicada, olhos castanhos, atraente.
- O prazer é todo meu em conhecê-la!
O calor do toque de sua mão na minha me agradou.
Alerta! Não. Eu havia decidido não me envolver, deixar as coisas acontecerem.
Saímos dali e fomos num restaurante jantar.
Beatriz me encantou, era divertida, inteligente, simpática e muito atraente.
Na saída do restaurante, Denilze e Val insistiram para que eu fosse com elas dar uma esticada na noite.
Beatriz me olhou, um olhar convidativo.
Resisti.
Disse que estava cansada e que tinha um projeto de um evento para analisar.
Percebi que Beatriz ficou desapontada.
Despedi-me delas.
Denilze e Val juraram, creio que com os dedinhos cruzados nas costas, que não tinha sido um “arranjo” delas o aparecimento de Beatriz.
Fiz de conta que acreditei.
Os dias passaram normais, tendo momentos em que a saudade e a falta de Jan me afligia sendo impossível conter as lágrimas.
Uma noite em casa lendo um livro, meu celular tocou...
- Alô?
- Alex? Beatriz, lembra? Ou se esqueceu de mim?
- Absolutamente. Como vai?
- Estou muito bem. E chegando de mudança, sai do Rio, agora estou voltando para São Paulo.Vou direta no assunto... Quer jantar comigo amanhã?
Uma desculpa para recusar já se formava em minha resposta.
- Oi ainda está ai? – Perguntou-me devido ao meu silêncio.
Por que não?! – “Pensei comigo”
- Estou sim e aceito jantar contigo.
Combinamos o horário e o restaurante.
Ao desligar o celular...
- Como ela tinha o meu numero?! – Perguntei pra mim mesma.
- Dona Denilze!
Aprendi que a vida nos reserva além da dor, novas oportunidades para sermos felizes.
A melhor de todas: Viver!
FIM
INEZ MARCONDES
FLORIANÓPOLIS 02/022011
"ASSIM QUIS O DESTINO" Quinto capítulo
Quinto capítulo
- Sim, uma vez por ano gosto de passar um tempo aqui, me refugiar...
Estávamos almoçando na varanda do seu chalé, no canto havia uma tela no início de um esboço sob um cavalete.
- És uma artista?
- A pintura me completa, mas não sou uma artista, adoraria poder ser uma, porém sou uma simples amadora. È um passatempo que adoro.
- Estais sendo apenas modesta ou escondendo o “ouro”?
- Quem me dera! E você? Uma mulher bonita, nesta encantadora cidadezinha litorânea, está sozinha? Ou acompanhada do namorado, marido...
A lembrança de Jan veio à tona, por um momento, senti como se tivesse traindo-a.
- Disse algum inconveniente?
- Desculpe-me. Mas, tenho que ir... Obrigada pelo almoço.
Levantei-me e sai em disparada.
- Espere!
Fui correndo pela calçada, precisava fugir daquela tentação, daquela mulher...
Cheguei em casa, fui direto para o banheiro, fiquei debaixo do chuveiro, tinha que apagar aquele fogo, o fogo que aquela mulher encandeou no meu corpo, nas minhas entranhas...
Depois do banho, vesti-me, fui para sala, as nuvens haviam encoberto o sol, deixando o ambiente na penumbra, abri uma garrafa de vinho e fiquei sentada no sofá, não conseguia tirar Mirelle, era o seu nome, da cabeça, o desejo acendido por ela, formigando-me... Atormentando-me...
Fui bebendo... Bebendo...
Vinho... Desejo... Traição... Culpa... E Mirelle!
- Perdoa-me Jan! Perdoa-me! Não vou te trair! Não vou...
____________________________
Logo na parte da manhã, lá estava eu na recepção da pensão, perguntando por Mirelle.
O recepcionista informou-me que ela se encontrava na praia em frente.
Na praia praticamente deserta, tendo apenas alguns pescadores concertando seus barcos ancorados na areia, ela se destacava... Concentrada, pintava a tela no cavalete...
Parei, admirando o contorno do seu belo corpo que o fino e quase transparente saída de praia que ela vestia por cima do short, deixava transparecer, os cabelos balançando por baixo da aba do chapéu pelo atrevido vento..
Sentindo observada ela, se voltou, vendo-me, correu em minha direção.
Meu coração disparou com a explosão de desejo... De tesão que aquela mulher me causava.
- Alex! Que bom te ver. Deixou-me preocupada ontem saindo daquele jeito.
- Bom-dia... Eu... Vim me desculpar... Portei-me como uma tola... Mal-educada...
- Vamos esquecer o dia de ontem! Que tal começarmos tudo de novo? Com um belo café. Já tomou café?
- Eu não quero atrapalhar... Tu estavas pintando...
- Sabe adoro esse seu sotaque.
- Sou do sul e agora moro em São Paulo... Misturou tudo...
- Vem vamos tomar um belo e delicioso café.
Voltamos à praia depois do café caminhamos até um ponto aonde tinha as pedras onde as ondas se quebravam lançando suas espumas brancas.
Sentamos, ela perto de mim... Seu cheiro... Eu me controlando...
- Ontem... Quando me perguntastes de alguém na minha vida...
Ela me encarou.
- Ele está aqui com você?
- Não é ele! È... Era uma namorada... Minha companheira...
- Uma namorada?!
- Se importa por eu gostar de mulher?
- Não sou preconceituosa. Vocês estão brigadas? Por isso que está sozinha aqui?
Levantei-me. Ela levantou também e veio até a mim...
- Foi tão sério assim? – Perguntou-me.
Falar de Jan, pensar em Jan, nesse momento, com Mirelle acendendo meus desejos era muito difícil.
Ela tocou-me no ombro, seu simples toque provocou arrepios por todo meu corpo, afastei rapidamente.
- Foi sério! Mas, não uma briga. Ela... Ela... Morreu!
- Alex!
Contei-lhe tudo, desde o início, de até que a morte nos separou!
- Uma bela história de amor, independente de todo esse final de dor!
Comovida ela me abraçou, deixei-me abraçar, e ficamos ali abraçadas... Ela ternamente e eu contendo o desejo de deitá-la e possuí-la vorazmente!
Passamos a nos encontrar todos os dias, às vezes me dava impressão que ela notava meu desejo por ela, mesmo me esforçando ao Maximo para me controlar, cheguei ao ponto de sentir ciúmes de quando algum homem olhava para ela.
Resolvemos um dia ir até uma pequena ilha não muito longe, o barco nos deixou com hora marca para vir nos buscar.
A ilha era linda, areia macia, branquinha, as palmeiras, a vegetação dava um toque exótico, alguns pescadores tinham construído um pequena cabana para se abrigarem em tempos de tempestades no mar.
Levamos uma cesta com alimentos, água e vinho.
Tomamos sol, nadamos, brincamos como duas adolescentes.
Até então eu não sabia nada dela, exceto que um tempo ela mora na Europa por um tempo e outro aqui no Brasil.
Depois da refeição tomávamos um delicioso vinho branco, quando de repente uma nuvem negra se formou anunciando uma tempestade, nem deu tempo para corrermos, caiu um aguaceiro, juntamos nossas coisas e fomos nos abrigar na cabana.
Depositamos nossas coisas numa pequena mesinha de madeira que havia num canto, peguei nossas toalhas e começamos a nos enxugar.
- Deixe que eu te ajude. – Disse-me ela, começando a passar a toalha em mim.
Eu também comecei a enxugá-la...
Não sei se foi o efeito do vinho... Ou o efeito do desejo contido na marra que fez eu...
Estávamos frente a frente, parei de enxugá-la...
Olhei para ela nos meus olhos deveriam estar refletindo tudo o que eu estava sentindo...
Ela não se moveu quando aproximei minha boca da dela.
As toalhas caíram...
Minha língua procurou e encontrou sua língua num beijo voraz, incontido...
Minhas mãos foram descendo, acariciando desesperadas, ela correspondendo, me apertando, se esfregando, fui ajudando a se livrar de suas roupas...
Seus seios saltaram firmes, tesos quando tirei a parte de cima do seu biquíni, ouvi seu gemido rouco, ao tocá-los com a boca sugando-os, faminta, desesperada... Fui deitando-a, beijando seu corpo todo, ela também me ajudando a se livrar das minhas vestes...
- Mirelle! Mirelle!
Fui descendo com minha boca...
Até chegar ao meio de suas coxas, ela se contorcia como se estivesse no cio enlouquecendo-me ainda mais de tesão...
Minha língua se movia deixando seu clitóris intumescido, ela implorando para eu não parar...
Quis judiar dela assim como o desejo me judiou por todos esses dias...
Detive-me e virei-a de bruços, comecei a beijar seu pescoço, sua nuca, vendo os arrepios que causava cada toque meu, deitei-me em cima dela, esfregando meu sexo nas suas nádegas, molhando-a com minha excitação...
Com a mão debaixo dela procurei seu sexo, meu dedo alcançou seu destino, penetrando em suas partes macias, quentes, molhadas, totalmente molhada de tesão...
Comecei a tocar em seu clitóris novamente...
Continuei até fazê-la gozar deliciosamente fazendo-a soltar um grito de prazer!
Virei-a de frente, beijei-lhe a boca, abri suas pernas, e encaixei-me no meio delas...
Soltei um gemido alto ao sentir meu sexo colado no dela ainda mais molhada com o líquido do seu gozo...
Suas mãos apertavam meu corpo naquele vai e vem frenético... Com ela gozando novamente, explodi num gozo que parecia interminável...
Abraçadas ficamos deitadas, ouvindo as fortes e aceleradas batidas dos nossos corações...
Passados alguns minutos...
- Foi a primeira vez! – Disse-me ela quebrando o silêncio.
- Que fez amor com uma mulher?
- Sim!
- E como foi pra você?
No lugar da resposta, ela veio e me beijou a boca, meu pescoço, descendo até meus seios que já correspondia...
Quando sua boca tocou meus mamilos...
Começamos tudo deliciosamente de novo!
"ASSIM QUIS O DESTINO" Quarto capítulo
Quarto capítulo
Denilze abriu a porta, um misto de alívio e alegria transpareceu em seu rosto.
- Alex! Alex! Graças á Deus! – Me abraçou levando-me para dentro.
- Onde você estava?! Estou te ligando há horas! Por que não atende esse bendito celular?! Perdoe-me! Eu não devia ter falado com você daquela maneira... Eu não sabia mais o que fazer! Não agüentava mais te ver sofrendo desse jeito!
- Calma! Você está com razão! Eu não posso ficar alimentando essa tristeza, esse vazio, tenho que reagir... Pensei muito, e como você disse preciso de umas férias, um tempo longe, para me recompor, para aceitar que... Que Jan. Que ela não volta mais!
Comecei a chorar.
Denilze me abraçou.
- Minha querida! Vai ficar tudo bem! Deus nos deu o tempo como o único remédio para aliviar esse tipo de dor. A dor se vai para dar lugar a uma grande e confortante saudade! Você ficando bem, certamente Jan onde ela estiver ficará também!
- Não se preocupe! Darei conta de tudo aqui.
Quero somente que fique bem e volte inteira. A vida continua Alex!
- Ficarei bem. E a Val quando volta?
- Nesse fim de semana, estou com tanta saudade!
- Quer dizer então que a casa vai pegar fogo! – brinquei.
- Maravilha! Estou vendo sinal de melhora. Estou subindo pelas paredes! È melhor ir... Ligue-me quando chegar, o que precisar fale com os caseiros certo?
- Ligarei.
Sai do carro. E dei um forte abraço em Denilze.
- Muito obrigada minha amiga!
- Se cuida! Quero apenas te ver bem! Boa viagem.
Novamente entrei no carro, dei partida, acenei mais uma vez e segui viagem.
A viagem foi tranqüila, cheguei um pouco depois do almoço, a casa ficava numa avenida em frente ao mar, fora da temporada a cidade ficava quase deserta com apenas poucos turistas, que vinham assim como eu fugir para poder se libertar.
Denilze e Val, sua companheira há cinco anos, havia nos convencido a comprar uma casa aqui, estávamos para fechar negócio quando descobrimos o tumor em Jan.
Foi num exame de rotina, não havia sintomas, nem um indicio sequer deste bendito, há não ser uma forte dor de cabeça, não muito constante que pensávamos ser enxaqueca, não tinha muito mais o que fazer, em oito meses de luta, ele venceu e tirou a vida do meu amor, a família de Jan já tinha um histórico dessa doença, tios, tias, o pai, um militar austero, mas surpreendentemente aceitou numa boa quando eu e ela ao passarmos no vestibular decidimos assumir para nossos pais o nosso relacionamento e que iríamos nos casar, meus pais e a mãe dela entraram em desespero, o pai dela nos deu apoio, quanto aos meus ficaram um bom e logo tempo sem falar comigo.
A mãe de Jan, nunca aceitou, quando seu pai faleceu, Jan ficou arrasada, mas, nem nesse momento triste e difícil sua mãe mudou de opinião, dona Ester, só se aproximou quando soube que a filha estava doente, mesmo assim mal falava comigo, logo depois do enterro de Jan, ela quis entrar com pedido dos bens da Jan, a casa, enfim... Fiquei estarrecida, sem forças, Denilze quem cuidou de tudo, Jan sempre foi muito precavida, deixou tudo documentado, e como havíamos comprado a casa juntas, ela nem teve como entrar na justiça.
Não quero mais pensar nisso. Foi simplesmente inaceitável e desumano.
Buzinei e o caseiro seu Manuel veio correndo abrir o portão.
Após os cumprimentos, sua esposa perguntou-me se eu queria comer alguma coisa.
Agradeci dizendo que não, eu havia parado num restaurante na estrada e acabei comendo por lá.
Desfiz minha mala, tomei um banho tomei dois comprimidos de calmantes, adormeci quase instantaneamente, queria sonhar, queria ver Jan novamente nos meus sonhos, mas ela não apareceu, nem os meus sonhos!
Acordei no outro dia, por um momento senti-me confusa sem saber onde estava, aos poucos fui me encontrando, espreguicei-me na cama, o sol penetrava por entre as cortinas, o cheiro do mar invadia o ar.
Sai da cama, tomei um longo e delicioso banho, olhei no espelho, ainda bem abatida, os cabelos sem vida... Fechei os olhos e senti Jan quando me abraçando pelas costas, dizia:
“Você está linda! Seus cabelos maravilhosos adoro quando realça a cor deles.”
Não! Jan não merece que eu fique assim.
Ao chegar à sala a mesa estava posta para o café.
- Bom-dia. Já vou servir o café.
- Bom- dia Judite! Pode-me dizer aonde tem um bom salão de beleza?
- Logo aqui na rua de trás. O que a senhora vai querer para o almoço?
- Muito obrigada, mas, não quero dar trabalho Judite. Não se preocupe em cozinhar pra mim. Me diz onde posso almoçar, um lugar bom...
- A maioria dos restaurantes daqui está fechado, mas tem o “Chalés Beira-mar”que tem um bom restaurante, fica lá mais pro fim dessa avenida, é um lugar limpo e a comida é muito boa.
- Obrigada Judite.
Tomei o café e sai, fui direto para o salão de beleza.
Encurtei mais os cabelos, realcei a cor e com isso encobrir uns fios brancos que teimavam em aparecer.
Embora estivesse me esforçando, nada daquilo me importava, pra que? Se Jan não iria mais estar comigo!
Fui contornando a avenida olhando o mar, caminhei por um bom tempo, até que exausta sentei-me num banco defronte a praia, um vento frio provocou arrepios em meu corpo trazendo-me novas recordações...
Após termos assumido nosso namoro, e dado todo aquele auê, o pai de Jan nos ajudou pagando o aluguel de um apartamento para que pudéssemos estudar na universidade, faltando um ano para eu me formar, sofri um acidente quebrando a perna em dois lugares, tive que trancar a faculdade, foi outra fase difícil que tivemos que passar, Jan acabou se formando antes de mim, passados dois meses de sua formatura seu pai veio a falecer. Eu iniciando a faculdade, Jan ainda sem emprego, a mãe dela se recusou a pagar o aluguel, há não ser se ela me deixasse, diante isso tudo, a única solução foi Jan aceitar trabalhar no exterior, precisamente em Londres, um ano longe uma da outra, ela me ligava dizendo estar morrendo de frio, sentindo falta do meu calor e tudo mais.
Ela me mandava dinheiro para as despesas, e guardava um pouco, dizendo que seria para eu montar uma produtora.
Assim que eu me formei arrumei emprego de estagiária numa grande produtora, onde conheci Denilze, que já trabalhava lá.
Com nosso amor superamos todas essas crises, depois de alguns anos, o dono da produtora morreu, os herdeiros não se interessavam Denilze e eu acabamos por comprá-la.
Meus pais se conformaram em aceitar, ou melhor, a tolerar a nossa união e todos prosseguimos com nossas vidas e escolhas.
Notei que as lembranças vinham trazendo menos dor, embora eu lutasse para impedir o choro, o vazio...
Meu estômago começou a reclamar por alimento.
Olhei o relógio, 13h30min, levantei-me e vi que o “Chalés beira –mar” estava a poucos metros dali.
Entrei, o restaurante ficava na frente, com um vasto salão cheio de mesas, simples, porém bem decorado com objetos e quadros caiçaras, notei uma limpeza fora do comum, as toalhas quadriculadas em cada mesa uma cor, dando um toque colorido e agradável, vasos com plantas, coqueiros, o chão com piso de madeira encerados, aproximei do balcão e perguntei ao rapaz que usava um jaleco branco, se ainda serviam almoço, ele respondeu que sim.
Ao me virar esbarrei um tanto violentamente numa pessoa, acabamos caindo juntas no chão, senti que minha camiseta começava a tingir de vermelho.
- oh Meu Deus! Que desastrada que sou! Você se machucou? Fique sossegada isso não é sangue é o meu suco de tomate.
O rapaz correu para nos ajudar.
Levantei-me e vi a mulher, por uns instantes sua beleza me chamou atenção.
- As senhoras estão bem?- Perguntou o rapaz aflito.
- Me sinto molhada. Quer dizer... Minha camiseta...
- Venha vou te levar para o meu quarto... - Disse-me ela já em pé.
- Não. Não precisa.
- Precisa sim, molhou e manchou sua camiseta e a culpa é toda minha.
Sem eu esperar ela me pegou pela mão praticamente me arrastando por uma porta de vai-e-vem e seguimos por um corredor.
Fomos sair num jardim bem cuidado, a piscina, e mais um balcão com banquetas, um lugar muito agradável de ficar tanto de dia como de noite.
Caminhamos mais um pouco, pequenos chalés foram surgindo.
Ela parou defronte um, subimos alguns degraus.
- Aqui é o meu chalé.
Girou a chave na fechadura, e abriu a porta.
De fora parecia bem pequeno, mas ao entrar, era bem espaçoso, um pequeno hall separava a entrada do quarto, tinha uma grande cama de casal, uma varandinha que dava para o mar, ao lado o banheiro.
- Bonito aqui!
- Sim. Sempre quando venho pra cá só fico hospedada aqui. Esse chalé já se tornou cativo! Mas, deixa-me ver o estrago que fiz na sua camiseta.
- Nem precisa se incomodar... Já secou. Depois de lavar a mancha sai.
- Absolutamente!
Ela tirou o chapéu e seus cabelos caíram encaracolados, sob a parte das costas que a camiseta de alças não cobria, o decote generoso da camiseta deixando á mostra o colo do seio... Sua pele bronzeada refletida nos pêlinhos dourados no antebraço, nas partes posteriores das coxas desnudas num short jeans, tudo nela impregnava sexo, um calor, um fogo, tomou conta do meu corpo, ela se aproximou, a fragrância do seu perfume envolveu-me num puro êxtase de excitação, tive ímpetos de agarrá-la e mergulhar naquele decote, naquele corpo...
- Está sentindo alguma coisa?! Alguma dor?! – Perguntou ao me olhar.
“Será que ela percebeu?! – Pensei comigo.
- È... È que... Creio que é fome... Eu iria almoçar... Quando nos esbarramos...
- Meu Deus! Além de te derrubar, te manchar a camiseta, ainda atrapalhei seu almoço?!
- Não... Por favor, foi um mero acidente... Eu devia ter olhado antes de me virar...
- Tire sua camiseta. Tenho uma novinha que ainda nem usei. Vou te indenizar pagando seu almoço.
- Não. Não será necessário...
- Faço questão.


