Terceiro capítulo
Entrei no carro sem saber para onde ir, para casa não queria, fiquei dirigindo sem rumo, nem o trânsito louco me incomodava, não soube por quanto tempo fiquei dirigindo e instintivamente fui parar num lugar onde eu e Jan adorávamos ir, era num parque florestal.
Desci do carro, comecei a caminhar como era um dia de semana, não tinha quase ninguém, nós fazíamos pic-nic sempre que podíamos, escolhíamos um lugar bem distante e discreto para ficarmos, estendíamos a toalha com os quitutes que trazíamos, um bom vinho...
Caminhei até onde ficávamos, sentei-me debaixo da mesma arvore que nos dava sombra e testemunhava nossa felicidade.
As recordações vieram novamente à tona, tornando reais os momentos que passamos ali...
- Vem Alex! A água está uma delicia...
Jan entrava no riacho de águas cristalinas, brincando, espalhando-as por todos os lados feito uma criança, quando eu entrava, me aproximava abraçando-a, ela se transformava na mulher apaixonada, ardente e sedutora, linda, pele branca, bronzeada pelo sol, olhos verdes que as vezes ficavam azuis, tinha um lindo rosto, quando sorria duas covinhas se formavam ao lado da boca...
Foi o que me chamou atenção ao nos conhecermos, num dia de domingo na igreja ao fazermos a crisma, eu com 15 e ela com 14, ambas de vestidinho branco com rendas, nos olhamos, ela sorriu prá mim, fiquei encantada com aquelas covinhas que se acentuavam iluminando seu rosto de beleza e simpatia, após a crisma fomos para o salão paroquial onde iriam servir bolos e refrigerantes.
- Oi, como se chama?- Ela veio até a mim.
- Me chamo Alex e o seu?
- Alex?! Alex não é nome de homem?!
- Não. Não é não sua boba! – Disse-lhe envergonhada- Serve para mulher também.
Minha mãe viu num filme que a mocinha se chamava Alex, ela gostou e escolheu esse nome para mim.
- È estranho, mas eu gostei também fica lindo em você! Eu me chamo Janice.
- Posso te chamar de Jan? Fica mais fácil...
- Ta. Pode sim sua preguiçosa.
Rimos as duas e desde então não se largamos mais.
Um ano depois nas férias do fim de ano, fomos para uma cidade do litoral passar uns dias, os pais de Jan não a deixou vir conosco, nos despedimos chorando arrasadas.
Eu adorava ir para a praia, no entanto tudo aquilo ficou sem sentido, não via alegria em nada e não entendia o porquê de ficar pensando em Jan o tempo todo, sentindo a falta dela a ponto de não conseguir dormir direito, imaginava ela com as outras meninas, ou pior namorando algum garoto, com espanto percebia que estava sentia ciúmes de Jan.
Meus pais ficaram preocupados comigo, achando que eu estaria doente e para evitar maiores preocupações comecei a disfarçar minha tristeza.
Uma tarde, eu estava sentada na areia olhando o mar.
A praia estava deserta, pois o tempo esfriara neste dia e uma fina fria chuva caia, afastando os banhistas, para mim estava ótimo, assim poderia pensar, chorar a falta da minha querida amiga.
Absorta em meus pensamentos, não percebi que alguém me olhava divertida, até ouvir sua voz...
- Olá! Atrapalho seu namoro com o mar?
- Não! Claro que não! Não quer me ajudar á namorá-lo?
- Você não fica com ciúmes?
- Não muito!
- Então aceito! Jan você veio que saudades!
- Meus pais viram como fiquei triste e sozinha resolveram então me deixar vir, meu irmão me trouxe. Alex, que saudades senti de você minha querida amiga!- E nos abraçamos felizes.
Ficamos conversando horas, até quase anoitecer.
A alegria voltava á minha vida, minha mãe fez um peixe delicioso, após o jantar arrumamos a cozinha, aproveitamos que a chuva tinha parado e fomos dar uma volta na praia que agora exibia uma linda noite com o céu estrelado, a lua dando uma cor prateada no mar com seu luar, as ondas indo e vindo calmas, serenas, caminhávamos de mãos dadas, em silêncio, as palavras não eram necessárias, não naquele momento, pois tudo o que sentíamos se traduziam nos apertos calorosos das nossas mãos entrelaçadas.
Na hora de dormir, como não tinha outro quarto disponível, Jan ficou comigo.
Arrumamos nossas cobertas, estava meio frio, rezamos e nos demos boa-noite.
- Você está tremendo. Está com frio? – Perguntou-me Jan.
- Sim. Não tem cobertor aqui. - Respondi.
- Vou abraçar você assim me esquento, também estou com frio.
Eu estava de costas para ela, ao me abraçar senti seu calor, sua respiração na minha nuca, uma quentura gostosa e estranha começou a invadir meu corpo.
- Jan? – Chamei baixinho.
- Estou ouvindo diga.
- Estou sentindo uma coisa estranha...
- O que?!
- Não sei o que é!
- Eu também! È só eu me encostar em você que aumenta mais e mais... È tão... Gostoso... Você não acha?
- O que será?! Isso não acontece só com as meninas e os garotos, não é o que elas vivem falando?
- Será a mesma coisa?! Você já beijou algum garoto na boca?
- Uma vez, o JJ me beijou de surpresa, que nojo! Aquele que tem mau-hálito lembra dele? Dei um murro na cara dele. E você já beijou na boca?
- Ainda não. Eu tenho mau-hálito?
- Não! Quer que eu sinta?
- Quero.
Virei-me para ela, a lua banhava o quarto através da vidraça, Jan olhava para mim, estava tão linda, linda como nunca.
- Você está tão linda Jan!
- Você também Alex! O que está acontecendo com a gente?!
- Eu... Eu não sei Jan! Juro que não sei! Só sei que estou com uma vontade louca de te beijar.
- Eu também Alex! Muita!
Nossas bocas timidamente se aproximaram, no início suavemente... Ternamente... Lábios com lábios e foram se abrindo, famintas, até nossas línguas se acharem, se tocarem, nos querendo, nos desejando...
Nossas mãos percorrendo nossos corpos, ajudando a nos livrar de nossos pijamas, os biquinhos de nossos seios em formação durinhos, tesos...
Ficamos as duas nuas, duas ninfas virgens sedentas de desejos, dominadas pela estranha e mal compreendida paixão.
Contemplamos nossos corpos nus, a mão de Jan acariciando meus seios, depois sua boca descendo pelo meu pescoço, deixando uma trilha de arrepios, quando senti sua boca, sua língua tocar o bico do meu seio quase desfaleci de tanto prazer, segurei firmemente sua cabeça, mantendo sua boca em mim, deitamos e ela continuou descendo sua boca, sua língua, deslizando sob minha pele arrepiada até o meu ventre que arqueava...
Sua língua chegando ao destino desejado... Não pude conter o gemido alto ao senti-la... Depois foi minha vez de explorar seu corpo, de sentir na boca o gosto de sugar seus mamilos, a maciez de sua pele, fui beijando devagar, saboreando cada parte, fazendo-a gemer a cada toque, até alcançar seu ventre, minha língua voraz, faminta provou do prazer que ela teve ao fazer o mesmo comigo.
O amanhecer já se despontava quando exaustas, saciadas e felizes por descobrir e dar prazer uma á outra dormimos...
Dormimos abraçadas, sem culpa, sem pudor, sem remorsos!
Levamos um susto quando minha mãe bateu na porta do quarto.
- Meninas acordem! O café está pronto, estamos indo pra praia.
- Nós iremos depois mãe obrigada.
- Não façam bagunça na cozinha. Tchau.
Depois de certificarmos que estávamos sozinhas na casa, descobrimos que nossos corpos se queriam mais e mais...
- Quer ser minha namorada Jan?
- Quero! E você Alex? Quer ser minha namorada?
- Por toda a minha vida!
O gorjear de um pássaro me tirou das lembranças, olhei ao redor, o vento balançando as folhas das arvores, o céu azul... Suspirei profundamente...
Querido Deus, pensei, Tirastes minha amada Jan! Que tenho agora? Que me darás em troca?! Como vou viver daqui pra frente sem ela?! Diz-me?!Ensina-me a viver sem ela!
Por favor, eu imploro ensina-me a viver sem ela!
Adormeci, e no meu sonho Jan apareceu, nos seus olhos uma sombra de tristeza, ela me abraçou e disse: “Toda felicidade que vivemos juntas deixará de existir se continuar assim! Estarei com você mesmo que seu coração se abra para outra pessoa, mas nosso amor será eterno! Necessito que sejas feliz para que eu possa ser aqui! Sempre te amarei!”
Acordei sobressalta, com o coração descontrolado, foi tão real que pude até sentir seu calor, seu perfume, seu abraço...
Levantei e fiquei chamando por ela...
- Jan! Jan!
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