Caso com o passado

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terça-feira, 22 de março de 2011

"ASSIM QUIS O DESTINO" Segundo capítulo

Segundo capítulo

Vencida pelo cansaço e pelo efeito do vinho acabei adormecendo ali no sofá.

Acordei assustada no meio da madrugada, sentei-me, uma latejante dor de cabeça começava, o estômago reclamando vazio...

Não sentia vontade de comer.

Com uma força sobre-humana levantei-me do sofá e sem acender a luz me dirigi ao banheiro, tirei a roupa, o cesto de roupas sujas estava já transbordando, alias a casa toda estava uma bagunça, necessitando urgente de uma boa limpeza, quando Jan morreu, fui me deixando levar, meus pais me levaram para a casa deles, nem sei por quanto tempo fiquei lá, só sei que fiquei o tempo todo dopada, no meu antigo quarto, queria morrer, ir ao encontro dela! Queria ficar com ela! Com o meu amor!

Minha mãe me vigiando o tempo todo com receio de eu fazer uma bobagem.

- Eu sinto minha filha, por ela e agora mais por você. Não era do meu gosto essa... Esse seu casamento... Mas, tudo bem... Acabei aceitando o seu pai também, nós víamos o quanto você estava feliz, mas agora quem sabe você com o tempo esquece ela, e encontra, conhece um homem bom, direito e se case de verdade como manda a igreja...

Nem deixei terminar, meu pai estava de pé parado na porta do quarto.

- Tenho que ir! Tenho que sair daqui! Agradeço mas tenho que ir!

- Filha!...

Arrumei minhas coisas numa mala e sai, mas antes, pude ouvir meu pai falando a ela:

- Você viu a besteira que acabou de falar?!

- Mas, eu não falei nada demais! Filha! Ela não pode ir ainda!

- Deixe. Você falando essas coisas não vai ajudar em nada!Não está vendo o sofrimento que ela está passando?!

Minha mãe correu para o portão, seguida por meu pai.

Eu estava colocando minha mala dentro do carro.

- Filha! Filha! Não vá embora!

- Alex! Você não pode ir embora desse jeito! Sua mãe não falou por mal...

- E você papai? Também pensa assim?

- Tudo o que penso e desejo para você filha é que seja feliz!

- Obrigada papai. Tenho que ir agora.

- Filha pelo menos ligue quando chegar. Vá com Deus!

Entrei no carro, dei a partida, nem sei como consegui dirigir até a minha cidade, Denilze me levou para a casa dela, onde fiquei por um bom tempo.

Com a cabeça, latejando pela dor, entrei embaixo do chuveiro e fiquei sentindo a água cair sobre mim, se misturando com minhas lágrimas, quantas e quantas vezes fizemos amor aqui...

Parecia que meu corpo se movia alheio a minha vontade, mecanicamente, enxuguei-me, escovei os dentes, olhei-me no espelho, estava abatida, com olheiras profundas, indiferente ao meu estado físico, terminei de escovar os dentes, peguei duas aspirinas tomei e fui para o quarto, deite-me abraçada com o travesseiro de Jan, sentindo seu cheiro, que saudades do seu calor, do seu amor, do seu corpo coladinho ao meu... Jan! Jan!

Acordei no outro dia com o toque insistente da campainha, acordei assustada, Denilze me chamava aflita...

Vesti um roupão e fui abrir a porta.

- Quer me matar de susto?!

- Bom- dia!

Denilze entrou.

- Que bagunça!

- A casa toda está um lixo! – falei indiferente.

- Vá se arrumar tem como se fazer um café nessa casa ou teremos que tomar numa padaria?

Quando acabei de me arrumar, o aroma do café invadiu o ar.

Entrei na cozinha que estava com louças sujas na pia, Denilze olhava tudo consternada.

- Isso tudo e você Alex não pode continuar assim.

- O que me importa?! – Respondi sentando-me.

Denilze me entregou uma xícara de café.

- Não tem nada para se comer aqui.

Ela arrastou uma cadeira se sentou e me olhou.

- Até quando?

Tomei meu café e levantei-me.

- Estamos atrasadas! Vou pegar minha bolsa para irmos.

Denilze não me falou mais nada durante todo o trajeto para a empresa, nós tínhamos uma produtora que depois de muito trabalho nós a tornamos sólida no mercado.

Tentei me concentrar no trabalho a manhã inteira, mas não conseguia, nada daquilo me interessava, tinha perdido o gosto de tudo que significava pra mim, e desse tudo Jan era a principal!

Durante uma importante reunião, eu fiquei ali sentada, apática, alheia, sentia os olhares, não suportando mais, pedi licença e sai, fui para minha sala.

Passado um tempo, Denilze entrou, fechou a porta com força. Olhei para ela admirada, mas não dei importância.

Ela parou na minha frente, estava furiosa.

- Até quando?! Até quando vai continuar a sentir pena de você?!

Não respondi.

- Acha que é a única pessoa que perdeu uma pessoa amada?! Jan se foi e foi terrível para nós todos, principalmente para você, todos nós aqui entendemos sua dor, mas a vida continua! Nós temos uma empresa e muitas pessoas dependem de nós aqui, além de que eu e você também dependemos daqui, portanto minha querida amiga e sócia pare de sentir pena de si mesma, Jan não deve estar suportando vê-la assim...

- Não! Você não entende... Ninguém entende a dor que estou sentindo...

- Mas, ficar assim não vai trazê-la de volta! Jan infelizmente se foi Alex e você vai ter de conviver com isso! A vida continua Alex!

- Pra mim não! Nada mais me importa!

- Então toda a nossa luta para montarmos a nossa produtora, o quanto Jan nos ajudou, nos incentivou, o quanto ela se sacrificou para ajudar você, a nós, também não importa ?! Foi em vão tudo o que Jan fez?!

Abaixei a cabeça e não respondi.

- Se não importa mais para você Alex o que pretende fazer?! Desistir de tudo?! Jan amava a vida! Amava você, era uma mulher forte, decidida, sempre te incentivando, ela aceitou a doença, e mesmo ciente do pouco tempo de vida não ficou se lamentando! Lembra-se do que ela te falou um pouco antes de ir? Que você fosse forte, que seguisse em frente com sua vida, que podia encontrar outra pessoa e ser feliz assim como foi com ela... E agora veja como esta...

- Pra ela foi fácil...

- O que?! Não sabe o que está falando!

Desesperei-me ao dar conta do que tinha falado.

- Meu Deus! Meu Deus! O que estou falando?! Já nem sei mais o que falo! – E comecei a chorar.

Uma leve batida na porta, Deise a secretária entrou.

- Desculpem, mas estão chamando-as no departamento de criação.

- Obrigada Deise já iremos.

Deise assentiu e silenciosamente saiu da sala.

- Então vamos?

- Não. Vá você Denilze. Não estou em condições de resolver ou decidir nada!

- Se não estais em condições de nada... Ficar aqui como um peso morto também não vai adiantar nada. Vá arrumar outro lugar para ficar sentindo sua pena. Pra mim deu!

Disse isso olhou duramente para mim e saiu.

Sentindo-me ofendida, magoada peguei minha bolsa e fui embora.

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